sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Mulher Política e Mídia

Michele Bachelet

Verónica Michelle Bachelet ,atual presidente de seu país, é médica cirurgiã, pediatra e epidemiologista da Universidade do Chile, ela domina seis idiomas, casou-se duas vezes e é mãe de três filhos. Nasceu em 29 de setembro de 1951, em Santiago, e foi a segunda filha da antropóloga Angela Jeria e do general de brigada aérea Alberto Bachelet. Seu pai, colaborador do governo de Salvador Allende, morreu torturado na prisão depois do golpe militar de 11 de setembro de 1973, marcando a vida da atual candidata.
Quando começou a sangrenta ditadura de 17 anos, cursava o quarto ano de Medicina na Universidade do Chile, tinha 22 anos e militava nas Juventudes Socialistas. Um ano depois da morte do pai, Bachelet foi detida e torturada pela Polícia secreta junto com sua mãe e transferida para "Villa Grimaldi", o pior centro de reclusão da ditadura.
Depois de serem libertadas, mãe e filha viajaram exiladas à Austrália e, em seguida, à Alemanha Oriental onde continuou a carreira de $ Medicina na Humboldt Universitat, de Berlim. Bachelet voltou ao Chile em 1979, retomou os estudos, formando-se médica cirurgiã na Universidade do Chile, em 1982. Ela também retomou a atividade política, trabalhou pelo retorno à democracia e colaborou com ONGs que prestavam assistência a filhos de torturados e desaparecidos. Com a restauração da democracia, em 1990, chegou ao Ministério da Saúde, onde teve diversos cargos.
Filha de general, familiarizada desde criança com assuntos militares, Bachelet se engajou na normalização das relações entre civis e militares, nas quais continuavam existindo dificuldades e temores. Em 1997, cursou o Colégio Interamericano de Defesa, em Washington, especialização que permitiu que ela ingressasse no Ministério da Defesa ao voltar ao Chile. Em março de 2000, o recém-eleito presidente Ricardo Lagos a chamou para seu gabinete, no qual se tornou ministra da Saúde. Em janeiro de 2002, tornou-se ministra da Defesa. Durante a gestão na Defesa, começou a ganhar popularidade nas pesquisas de opinião e a imagem pública cresceu ao ser fotografada, em um tanque, dirigindo operação de resgate durante inundação em Santiago.

Atualmente a mulher toma o poder como nunca foi possível imaginarem décadas passadas. Desde a infância somos “educados” dentro dos padrões de uma sociedade onde as mulheres seguem sendo tratadas apenas como esposas, mães e filhas, no que se refere a todos os avanços em relação á emancipação feminina, participação no mercado de trabalho e na política.
Partindo da premissa de que a mulher tende a ser mais sensível, mais zelosa, flexível e estatisticamente mais estudiosa, podemos supor que a figura feminina mudaria o cenário político-social em que vivemos?
O fato nos permite refletir sobre algumas questões, tais como a participação da mulher na política e a potencialidade da sua liderança, por exemplo, Michele Bachelet (Chile), que foi eleita por voto direto a primeira mulher para o mais alto cargo da administração pública, a presidência.
Apesar de a mulher ter alcançado vários direitos ao longo dos anos, atualmente ainda sofre muita indiferença. Um exemplo sobre isso é o modo em que a mídia a trata, principalmente quando falamos sobre política.
Fazendo uma análise á discursos políticos, vemos que mulheres envolvidas na política têm menos presença na mídia (telejornais, revistas e etc.), de acordo com alguns jornalistas e profissionais de comunicação, isso acontece porque a mídia funciona como uma espécie de ‘espelho da sociedade’, a mulher aparece pouco na imprensa e na TV, porque aparece pouco na vida real (não ocupam posições de destaque e nem tem tanto prestígio quanto os homens).
As mulheres, por sua vez, não são tão expressivas em nenhuma categoria temática das revistas e dos jornais, em relação a isso, aparecem na categoria ‘irrelevantes’, ou seja, comentários sem importância sobre trivialidades, elas não podem cometer gafes, dizer frases que possam ter duplo sentido ou ser incomum ao posto de uma mulher (Marta na frase ‘Relaxa e goza’, tratando sobre o caos aéreo), ou seja, a mídia se torna completamente preconceituosa, assim constrangendo suas ações.
Independente do sexo somos seres humanos e podemos errar. Ao longo de nossa história vivemos a conseqüência de diversos erros de nossos governantes.
Por que não tentar algo diferente?
Poderíamos eleger uma mulher como maior poder político de um país, porque não?
Devido ao seu processo de desenvolvimento pessoal e profissional a mulher ao longo dos anos vem quebrando paradigmas e caminhando para uma sociedade mais igualitária.
Dessa maneira, a mulher tem sido vista pela mídia de forma diferente (mesmo que a condene por algumas atitudes que fujam dos iniciais padrões). Ela tem mostrado a mulher que trabalha, que educa os filhos, que é a exemplar esposa de uma forma a taxá-la como heroína, a nomeá-la de “1001 utilidades”; capaz de desenvolver tudo ao mesmo tempo.
Considerando suas características peculiares podemos imaginar efeitos positivos que o olhar feminino pode trazer para a sociedade. Michelle Bachelet com seu instinto maternal de médica pediatra, talvez não apertaria o botão vermelho pela segunda vez como em Hiroshima e Nagasaki, destruindo vidas de milhares de crianças inocentes. O fato de a mulher ser muito comunicativa e flexível poderia acabar se desenrolando em negociações pacíficas ao invés de revoltas e sangue. Ela poderia expressar ao mundo sua inteligência equilibrada entre compaixão, firmeza, comprometimento e hombridade.

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